sábado, 21 de dezembro de 2013

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


QUARTO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Céus, deixai cair o orvalho;
Nuvens, chovei o justo;
Abrase a terra e brote o Salvador!” (Is 45,8).

“No Quarto Domingo do Advento, o último, chegando ao ponto alto de nossa espera, despontam para nós os lampejos de um novo amanhecer, anunciando a chegada do Sol da justiça, o Emanuel, o Deus conosco. Ele é a manifestação do segredo escondido em Deus, há séculos: a salvação, a vida plena e feliz para toda a humanidade.
A Palavra de Deus deste domingo nos remete ao vivo e evidente sinal do maravilhoso encontro do divino e do humano em Jesus de Nazaré.
O acendimento das quatro velas que confirma a chegada plena da luz no seio de Maria, grávida pelo Espírito Santo e na fiel obediência de José, o homem justo. Ambos, modelos do Advento, vivem ardente espera do Salvador em meio à obscuridade da fé e às ambigüidades e provas da frágil condição humana.
Mesmo na alucinação das compras natalinas, aturdidos pelos anúncios de um Natal esvaziado pelo consumismo e devotados ao ídolo mercantilista e tirano do dinheiro (como vem afirmando nosso amado Papa Francisco), a humanidade e todo o universo clamam esperançosos pelo Reino e se enternecem diante da simplicidade, da gratuidade, de relações verdadeiras, do serviço desinteressado do pequeno resto, da geração dos que buscam a Deus. Sinalizam a chegada do ‘Emanuel’ e da força de seu Espírito, gerando, com autenticidade e sem muito barulho, um mundo novo.
‘Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel’. Este domingo é de fato, uma festa de Maria. A oração do dia de hoje tornou-se a conclusão da oração do ‘Angelus’.
Deus tem um plano de bondade para a humanidade, toma a iniciativa e o cumpre de forma desconcertante. Envia seu próprio filho; repara na humildade e na fidelidade de uma jovem que aceita em si mesma a obra de Deus, que quer vir ser Deus conosco. José fica perplexo, mas se abre para compreender a ação de Deus. Deus vem habitar conosco; armou sua tenda entre nós.
Deus age, mas com a colaboração de pessoas que assumem com simplicidade e, às vezes, com dificuldade sua responsabilidade, como aconteceu com José e Maria. Deus quer salvar a humanidade, através de nós, pessoas humanas. Uma gravidez é sempre uma ocasião para pais e familiares se colocarem dentro de um mistério. A pessoa que está sendo tecida no ventre materno não é apenas obra humana, mas revela a presença do Criador.
A saudação – “Não temas!” – dita pelo mensageiro a José, no texto de Mateus, e a Maria, em Lucas, é dita hoje a nós, para nos animar na missão de colaborar com o projeto de Deus e para que ‘venham a nós’ a paz e a justiça tão sonhadas.
Neste tempo de Advento, somos convidados a viver em profunda contemplação e admiração, fé e confiança. É tempo de gestação de novas relações no silêncio do cotidiano da vida. Como José, somos encarregados de proteger as sementes de vida semeadas no ventre fecundo de nossas comunidades, nas organizações populares, entre os jovens, idosos e pequenos.
Como comunidade eclesial, recebemos a Palavra, o Verbo encarnado da Vida que nos engravida pela ação amorosa do Espírito para continuarmos a ser sinais e instrumentos da salvação e da esperança no mundo em que vivemos. Jesus é o Deus-conosco e conosco permanecerá (cf. Mt 28,20), até que a salvação se realize plenamente” (cf. Roteiros Homiléticos do Advento de 2013 da CNBB, pp. 33-38).
Gosto de atualizar o evento narrado pelo Evangelho deste domingo. Em nossos dias, quando a filha da vizinha aparece grávida, fica “mal falada”. Mesmo com o hedonismo “em alta”, os que se sentem “certinhos” julgam e condenam a gravidez fora do casamento, principalmente quando ocorre com meninas jovens (menores de idade) ou por conta de alguma traição. Se é assim entre nós hoje, imaginemos a angústia e o dilema de José, de Maria, suas famílias e parentes... O que terá dito a sociedade de Nazaré? Foi preciso muita confiança, fé madura e gratuidade para acolher o que Deus pedia àquele jovem casal. Não poucas vezes colocamos em dúvida a presença amorosa de Deus em nossas circunstâncias. Nem poucas vezes questionamos ou culpamos Deus por dissabores e eventos incompreensíveis à nossa razão, e que só podem ser acolhidos pela ternura de nosso coração! Talvez este domingo nos sugira um pouco mais de silêncio, a fim de podermos ouvir o que Deus tem a nos pedir, a fim de participarmos do profundo mistério da salvação.
Sejam todos abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 7,10-14; Sl 23(24); Rm 1,1-7 e Mt 1,18-24).

O ENCONTRO DO DIVINO E DO HUMANO, JESUS!

          O ENCONTRO DO DIVINO E DO HUMANO, JESUS!

Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

No quarto (último) Domingo do Advento, chegando ao ponto alto de nossa espera, despontam para nós os lampejos de um novo amanhecer, anunciando a chegada do Sol da justiça, o Emanuel, o Deus conosco. Ele é a manifestação do segredo escondido em Deus, há séculos: a salvação, a vida plena e feliz para toda a humanidade.
A antífona de entrada de nossas celebrações do próximo domingo, o quarto e último do Advento, inspirada no Salmo 45,8, evoca a descida do orvalho celeste que faz brotar da terra, a salvação. É um vivo sinal do maravilhoso encontro do divino e do humano em Jesus de Nazaré que a liturgia do quarto domingo do Advento evidencia.
O acendimento das quatro velas da coroa do Advento nos confirma a chegada plena da luz no seio bendito de Maria, grávida pelo Espírito Santo e na fiel obediência de José, o homem justo. Ambos, modelos do Advento, vivem ardente espera do Salvador em meio à obscuridade da fé e às ambigüidades e provas da frágil condição humana.
Mesmo na alucinação das compras natalinas, aturdidos pelos anúncios de um Natal esvaziado pelo consumismo e devotados ao ídolo mercantilista e tirano do dinheiro, a humanidade e todo o universo clamam esperançosos pelo Reino e se enternecem diante da simplicidade, da gratuidade, de relações verdadeiras, do serviço desinteressado do pequeno resto, da geração dos que buscam a Deus. Sinalizam a chegada do “Emanuel” e da força de seu Espírito, gerando, com autenticidade e sem muito barulho, um mundo novo (cf. Roteiros Homiléticos do Advento da CNBB 2013/14, pp. 33-34).
Queremos, na grandiosidade do encontro do divino com o humano, Jesus de Nazaré, celebrar seu Natal com grande humildade de coração. Nossa riqueza consistirá na presença de cada um em nossas celebrações natalinas na Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres, na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto. Celebraremos a Missa do Galo, dia 24 de Dezembro de 2013 às 19h30 e a Missa Solene do Natal do Senhor, dia 25 de Dezembro, às 9 horas. Sintam-se todos convidados para, juntos, celebramos o mais rico Natal, decantado em nossa humildade e no protagonismo da Paz!


sábado, 14 de dezembro de 2013

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Alegrai-vos sempre no Senhor.
De novo eu vos digo: alegrai-vos!
O Senhor está perto” (Fl 4,4s).

          “O Senhor não demora! Alegrai-vos! Deus quer renovar conosco sua aliança e nos promete novo vigor. Quer transformar nosso sofrimento e nosso choro em prazer e alegria, fazendo-nos já apreciar um ‘aperitivo’ da realidade nova que desejamos para nós e para o mundo. Por isso, ele mesmo vem para nos erguer de todo tipo de acomodação e desânimo, vem fortalecer as mãos enfraquecidas e os joelhos cansados, vem animar nossa esperança. Daí vem nossa alegria!
          Apesar da pobreza, corrupção, exclusão de tantos, das guerras, o tempo do Advento desperta nossa esperança e nos chama a viver na alegria e na perseverança cotidiana. Qual é nossa esperança?
          João Batista, mesmo preso e prestes a ser martirizado, envia dois discípulos para ouvirem de Jesus os motivos para manter viva a sua esperança: ‘Você é o Messias?’ A resposta são testemunhos da pessoa, das obras, do jeito de ser de Jesus com relação ao povo mais espezinhado e abandonado. Tudo o que ele é e faz consiste em dar a vida. Ele é o Messias que está entre nós. A esperança se cumpriu. O Reino de Deus por ele trazido se destina preferencialmente aos pobres e, através deles, a toda a pessoa. Os gestos de amor ao próximo alimentam a esperança da chegada final do Senhor. [...] João Batista se alegra profundamente por saber que seu anúncio está cumprido; sua profecia se torna realidade; seu martírio não será em vão, porque não foi conivente com a hipocrisia de seu tempo e não temeu ser invejado por Herodes que gostava de ouvi-lo, não obstante João não lhe convinha, pois apontava seus erros. Quantas vezes instauramos em nosso ministério e missão profética a Pastoral da Amizade, correndo o risco de sermos coniventes e abençoarmos as injustiças sociais, simplesmente para garantirmos nosso prestígio e uma falsa segurança de comodidade de vida, e nem por último nossa ostentação material. Não tenhamos medo de perder a cabeça, ou seja, honras, facilitações daqui e dali. Tenhamos a coragem de anunciar o Messias entre nós, mesmo que isso desagrade a quem não vive de acordo com o projeto de seu Reino, que é Justiça [...].
          O amor, a entrega da vida podem ser vistos, apalpados, testemunhados, porque são concretos: fazer ver, andar, ouvir, curar as mãos e joelhos enfermos. Jesus fez as obras do amor sem limite e nos deu a missão de continuar fazendo o mesmo. Hoje nossos gestos de solidariedade diante da fome e da pobreza devem comunicar que o Reino está em nosso meio.
          A esperança nos dá alegria confiante. A esperança fundamenta nossa firmeza permanente e a certeza de que Deus vencerá o mal, que ainda persiste na humanidade. A esperança se manifesta na celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança.
          A celebração eucarística, em torno das duas mesas da Palavra e do Pão constitui momento privilegiado em que experimentamos a verdadeira alegria, uma feliz antecipação do Reino que esperamos.
          Aclamamos esperançosos o Senhor, paciente, tolerante e misericordioso para conosco. Ele nos acolhe à sua mesa apesar de nossas inúmeras fraquezas e desvios e nos convida continuamente a caminhar com ele para a páscoa, participando com fé autêntica em sua entrega total, em sua oblação pascal.
          A vinda de seu Reino se dá lentamente, o que exige paciência, determinação e nos traz também cansaço. Ao participarmos da mesa do corpo e sangue do Senhor, recebemos, já na antífona de comunhão, a missão de dizer aos que estão desanimados: ‘Coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, Ele mesmo vai salvar-nos’.
          Nunca nos faltará coragem e alegre esperança de atingir a meta final. Sua Palavra nos indica o caminho, como cantamos neste Domingo da Alegria no salmo: fazer justiça aos pobres e oprimidos; erradicar a fome; dar lucidez à consciência dos fracos; colocar de pé os que, pela humilhação e alienação, estão encurvados; proteger e sustentar os pequenos e marginalizados, dando-lhes dignidade; cuidar amorosamente da natureza.
          Isto deve constituir a verdadeira alegria que, brotando da celebração deste Terceiro Domingo do Advento, nos mantém mensageiros da boa nova, preparando os caminhos do Reino, como seguidores daquele que vai à nossa frente” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento de 2013 da CNBB, pp. 27-32).
          A proposta da Palavra de Deus deste domingo vem de encontro com o lançamento da primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco, no dia 26 de novembro passado: Evangelii Gaudium = A Alegria do Evangelho, que propõe uma ampla reforma na Igreja e até mesmo do Papado. A exortação fala sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O Papa Francisco propõe “algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo”. O Pontífice toma como base a doutrina da Constituição Dogmática Lumen Gentium, e aborda, entre outros pontos, a transformação da Igreja missionária, as tentações dos agentes de pastorais, a preparação da homilia, a “guerra e inveja” entre os padres, o carreirismo clerical, a inclusão social dos pobres e as motivações espirituais para o compromisso missionário. Saibamos beber seja da Palavra seja da Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, para celebrarmos a verdadeira Alegria neste Gaudete!
          É, também, neste domingo que realizamos a Coleta da Campanha para a Evangelização, que neste ano nos apresenta o tema: “Eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2,10). Combinamos guardar, ao longo do Advento, pelo menos, 1% de tudo que fôssemos gastar em enfeites, presentes e guloseimas para o Natal. Sejamos, portanto honestos, oferecendo nesta coleta algo a partilha de nossa pobreza, com profunda consciência de que ajudaremos a quem tem menos do que nós, sobretudo na Evangelização de nosso Brasil!
          Sejamos todos muito abençoados e nossa generosidade recompensada pelo Senhor que vem para nos transformar. Com ternura e gratidão, o abraço,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 35,1-6.10; Sl 145(146); Tg 5,7-10 e Mt 11,2-11).