sábado, 31 de agosto de 2013

HOMILIA PARA O VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO COMUM


INÍCIO DO MÊS DA BÍBLIA

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Senhor, sois bom e clemente,
cheio de misericórdia para
aqueles que vos invocam” (Sl 85,5).

          “Iniciamos com o Vigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum o denominado Mês da Bíblia por causa de São Jerônimo, o tradutor das Sagradas Escrituras, cuja festa celebraremos no dia 29 de setembro. O tema escolhido revela o Evangelho do Ano Litúrgico C e os cinco aspectos fundamentais do processo do discipulado: o encontro com Jesus Cristo, a conversão, o seguimento, a comunhão fraterna e a missão propriamente dita. O lema indicado pela Comissão Bíblico-Catequética dos Bispos do Brasil (CNBB) é: ‘Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido’ (cf. Lc 15,9). Já o tema é: ‘Discípulos missionários a partir do Evangelho de Lucas’.
          ‘O Senhor nos reúne para tomarmos lugar na ceia eucarística e partilharmos de sua intimidade e amizade, ouvindo sua palavra e recebendo-o como alimento. Somos convidados ao banquete do reino, onde não há privilégios, mas sim privilegiados: os empobrecidos, para os quais Deus prepara a mesa com muito carinho. A Liturgia deste domingo abra o nosso coração ao espírito do evangelho.
          As leituras nos conclamam a viver a humildade e a gratuidade, que nos fazem encontrar graça diante do Senhor, nos aproximam dele e nos tornam felizes participantes do seu reino.
          A verdadeira modéstia nos conduz a Deus e nos dá a consciência da nossa fragilidade e da necessidade de aprender com os outros. Modéstia e gratuidade são as condições para sentar à mesa com Jesus em seu reino. Com Jesus, temos novo modo de experimentar Deus.
          Na eucaristia, renova-se o gesto de humildade de Jesus: tornou-se pequeno entre os pequenos. Ao tomarmos lugar à mesa eucarística, recebemos o vigor e a força que vêm do pão partilhado’ (cf. Liturgia Diária de Setembro de 2013 da Paulus, pp. 14-17).
          No Evangelho de São Lucas deste domingo, Jesus, convidado pelo fariseu, encontra naquele ambiente de festa pessoas que se consideravam umas melhores do que as outras. Cada qual queria superar seu vizinho em importância. Jesus, ao ver tal situação, toma uma atitude para levá-los a refletir sobre o que é realmente importante, sob a ótica misericordiosa de Deus. A parábola contada por Jesus deve ter chocado a todos, pois ela se contrapõe àquilo que os fariseus consideravam socialmente certo. Jesus lhes diz que aqueles que se consideram ‘os tais’ cairão do alto de seu orgulho e ficarão envergonhados ao perceberem que seu lugar é o menos importante. Mais ainda, Jesus diz que os melhores lugares estarão reservados aos que são autenticamente humildes. Por que isto? Porque os que se consideram grandes, os maiores e melhores são pessoas ‘cheias de si’, como se diz comumente. Elas estão com o espírito de tal modo repleto de orgulho e autossuficiência que, em seu interior, não sobra espaço para praticarem as virtudes evangélicas, especialmente a caridade. A festa a que Jesus se refere, com certeza, não é uma festa como as que realizamos em datas comemorativas. Jesus se refere à grande festa que acontecerá no céu ao final dos tempos. Nela, os convidados não serão nem os orgulhosos, nem os autossuficientes, nem os egocêntricos. Para ela, receberão convite os mais humildes, simples, que reconhecem sua fraqueza e se deixam guiar pela mão de Deus; os que se reconhecem simples e humildes e por isso são capazes de olhar seus irmãos.
          São Paulo nos fala desta festa celestial, reunião festiva de milhões de anjos, dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição. Obviamente, o caminho da perfeição não será o seguido pelos orgulhosos fariseus, mas o trilhado pelos humildes. Na própria resposta que damos à Palavra proclamada, dizemos isto a nosso Deus: ‘com carinho preparaste esta terra para o pobre’. No entanto, em muitas outras situações, ele próprio vivenciou aquilo que disse. Jesus é nosso modelo de humildade e doação. Qual humildade pode ser mais forte, mais autêntica do que a praticada por alguém que, embora sendo de condição divina, tornou-se humano como nós, tornou-se um conosco?
          Fica-nos ainda a lição do livro do Eclesiástico: encontraremos graça diante do Senhor, ao praticarmos autenticamente a humildade, pois o Pai escolheu os humildes para a eles revelar seus mistérios” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II de 2013 da CNBB, pp. 9-14).
          Só quem é humilde sabe o quanto é bom ser humilde. Muitas vezes nos deparamos, em nossas Comunidades, com a arrogância, a prepotência, o abuso de poder, cargos e funções. Quantas vezes, dizemos não aos mais simples, mas fazemos a chamada Pastoral da Amizade, dizendo sim aos que nos são convenientes? Saibamos rever nosso zelo e nossa sensibilidade pastoral. Não nos roguemos o direito de julgar, mas saibamos acolher, ouvir e inserir na Comunidade todos que nos buscam!
          Quando o Papa Francisco falou do clericalismo, referia-se aos nossos esmerados e queridos Agentes de Pastoral. Embora trabalhem incansavelmente, nem sempre são suficientemente humildes e acolhedores. Daí surge a Pastoral da Exclusão! Quando o Santo Padre falou de carreirismo, referia-se aos Ministros Ordenados que gastam suas energias na busca de poder, cargos, funções e prestígio, mesmo que, para alcançarem isso, tenham que “subir às custas dos erros dos outros”. Coisa feia! Devemos ser porta-vozes da misericórdia de Deus e, antes de julgar os outros, entrar aos porões de nossa própria intimidade, onde certamente encontraremos muitas coisas a serem mudadas. Sejamos Anjos uns dos Outros e não meros juízes!
          Sejam todos sempre abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Eclo 3,19-21.30-31; Sl 67(68); Hb 12,18-19.22-24 e Lc 14,1.7-14).


sábado, 24 de agosto de 2013

HOMILIA PARA O VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO COMUM

DIA DO CATEQUISTA
DIA DOS MINISTÉRIOS E SERVIÇOS NA COMUNIDADE


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Os últimos serão os primeiros
e os primeiros serão os últimos” (cf. Lc 13,30).

          A Palavra de Deus deste Vigésimo Primeiro Domingo Comum do Tempo Litúrgico nos coloca diante de Jesus Cristo, que nos ensina a desinstalar-nos de nossas eventuais e possíveis autossuficiências para vivermos melhor a proposta do Reino de Deus e, assim, sermos felizes, fazendo felizes os outros.
          “São poucos os que vão ser salvos? Muitos cristãos vivem com esta pergunta martelando em sua cabeça e afligindo seu coração, pergunta, às vezes, inculcada por pregadores insensatos.
          ‘O Senhor nos reúne para a celebração da eucaristia, que nos educa no caminho de Jesus. Mas não basta comer e beber na sua presença; somos chamados a passar pela porta estreita que conduz ao banquete do reino.
          Acolhamos a palavra de Deus, o qual chama todas as pessoas para formarem um povo santo que caminhe na justiça, instruído por seus ensinamentos, e que participe do banquete festivo do reino.
          O profeta Isaías convida todas as nações a ver e proclamar a glória de Deus. Deus prepara o banquete para todos; para entrar, porém, não basta somar rezas, é necessária a prática da justiça. Todos precisamos passar pela escola de Deus e aprender a resistir e perseverar.
          Oferecendo o seu Corpo e Sangue em alimento, Cristo nos torna todos irmãos e irmãs na fé. Apresentemos a Deus a vida e a missão de todos os que assumem algum ministério ou serviço na comunidade, especialmente os incontáveis Catequistas e Agentes de Pastoral’ (cf. Liturgia Diária de Agosto de 2013 da Paulus, pp. 82-85).
          Jesus hoje nos alerta que ‘salvação é para todos, vindos de todos os lados, dos quatro ventos, de perto e de longe. Só não é para aqueles que se fecham na sua autossuficiência e nos presumidos privilégios. A página do Livro do Profeta Isaías lembra que Deus não apenas quis salvar o povo de Israel do exílio babilônico, como também o encarregou de abrir o Templo da Aliança a todas as nações. Quando Deus concede um privilégio, como foi a salvação de Israel do cativeiro babilônico, este privilégio se torna responsabilidade para com os outros. Deus rejeita a autossuficiência’.
          Isso leva, a nós, cristãos, a pensarmos! Existem muitos cristãos instalados, que se sentem seguros fazendo formalmente tudo o que lhes foi prescrito, mas não assumem com o coração aquilo que Jesus deseja que façam, sobretudo o incansável amor ao próximo. Eles ficarão de fora, se não se converterem, enquanto outros, considerados pagãos, vão encontrar lugar no Reino. Aqueles que só servem a Deus com os lábios e não com o coração e de verdade, o Senhor não os conhecerá!
          Numa palavra, o Reino exige desinstalação. Exige busca permanente daquilo que é realmente ser cristão: não apegar-se a fórmulas farisaicas, mas entregar-se a uma vida de doação e amor, que sempre nos desinstala. Então a questão não é se poucos ou muitos vão ser salvos. A questão é se estamos dispostos a entrar pela porta estreita de desinstalação e do compromisso com os que sempre foram relegados. A questão é se abrimos amplamente a porta de nosso coração, para que a porta estreita se torne ampla para nós também. Deus não fechou o número. A nós cabe nos incluirmos nele” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I da CNBB, pp. 113-119).
          Nosso amado Papa Francisco insiste numa Cultura do Encontro, capaz de superar        e de extirpar de nossas relações familiares, eclesiais, políticas e sociais, as Culturas do Consumismo, do Carreirismo, do Prestígio a todo custo, da Conveniência e da Conivência com as inúmeras injustiças sociais a que somos acostumados. Não basta ser um “Católico Certinho”, aparentemente apenas. É preciso algo mais: o compromisso com a promoção da Dignidade Humana. Despir-nos de nossa arrogância que nos leva, facilmente, a emitirmos juízos sobre o comportamento dos outros, e olhar mais para os porões de nossa intimidade, que não poucas vezes cheira mal. Tal conversão é um exercício contínuo e muitas vezes dolorido. Mas se não nos configurarmos com Jesus Cristo na relação com nossos irmãos, não passaremos pela porta estreita. Iniciemos hoje mesmo a dieta que nos emagreça de nossa prepotência, achando que somos melhores, porque damos o dízimo, comungamos sempre e até ocupamos algum cargo ou função nesta vida. Se não estivermos sempre dispostos a promover a Cultura da Vida, de nada terá adiantado o mero cumprimento de preceitos!
          Sejamos agradecidos aos tão queridos e esforçados catequistas e vocacionados para os vários ministérios e serviços na Comunidade. Lembremos hoje, especialmente, de que a Igreja de Jesus Cristo é toda ela, missionária e ministerial, ou não é Sua!
          Sejam todos sempre abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 66,18-21; Sl 116(117); Hb 12,5-7.11-13 e Lc 13,22-30).