quinta-feira, 24 de março de 2011

Nossa Senhora já era venerada desde o princípio do cristianismo




Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra), adquiriu no Egito um pequeno fragmento de papiro de 18 x 9,4 cm, que foi catalogado como Ryl. III, 470. Esse papiro apresenta uma oração mariana de grande importância tanto por seus dizeres como por sua data.


Examinaremos, a seguir, o conteúdo desse papiro e sua respectiva datação.

1. O conteúdo do papiro

O texto do pequeno papiro foi publicado em 1938, sem que se tivessem até então identificado os seus dizeres. Isto só foi feito no ano seguinte por F. Mercenier: este pesquisador verificou que se tratava da oração mariana conhecida e recitada ainda hoje com as palavras iniciais “Sob a vossa proteção” (Sub tuum praesidium… em latim). Embora o texto esteve incompleto e um tanto deteriorado pelas intempéries dos séculos, o sentido das palavras pode ser depreendido com clareza e segurança.

O texto, devidamente reconstituído, diz o seguinte:

Sob a tua proteção nos refugiamos.
santa Mãe de Deus!

Não desprezeis as nossas súplicas
em nossas dificuldades;

Mas livra-nos sempre de todos os perigos,
ó Virgem gloriosa e bendita.

A oração, redigida na primeira pessoa do plural, parece ser, por isto mesmo, pertinente ao uso da Liturgia. Comentemo-la, levando em conta as traduções da mesma existentes nas diversas tradições litúrgicas.

Uma das diferenças mais notáveis quando consideramos as versões recentes, está em que o fiel se refugiava “debaixo da misericórdia da Mãe de Deus”, ao passo que o texto latino diz praesidium (proteção). A expressão “sob a tua misericórdia” se encontra nas versões bizantina, copta e ambrosiana, ao passo que a Liturgia síria diz mais enfaticamente ainda: “sob o manto da tua misericórdia”. Por sua vez, o rito etíope diz: “sob a sombra de tuas asas”.

Alguns manuscritos latinos do século X traduzem literalmente: sub tuis visceribus, isto é, “em tuas entranhas nos refugiamos”. Nesta versão a misericórdia é comparada às entranhas de uma mãe, que em seu íntimo defende e abriga seu filho. Na verdade, o vocábulo grego eusplanchían significa boas entranhas. Como se vê, o texto original põe em relevo a confiança filial e a índole afetiva das relações entre o fiel e a Santa Mãe de Deus.

Theotókos. O título que comumente se traduz por “Mãe de Deus”, quer dizer, ao pé da letra: “Aquela que deu à luz Deus”, em latim Deipara. Este título professa que a pessoa que Maria deu à luz, é a pessoa do Filho de Deus ou a segunda Pessoa da Santíssima Trindade que quis assumir a natureza humana. Note-se que o vocábulo Theotóke é forma de vocativo; donde se depreende que a oração é dirigida à Santíssima Virgem, como expressão da grande antigüidade da devoção a Ela.

“Não deixes de considerar as nossas súplicas em nossas dificuldades”. Ao pé da letra, o fiel pede a Maria: “não afastes de nossas súplicas o teu olhar”. Basta, pois, que a Mãe de Deus esteja atenta às nossas súplicas para que estejamos seguros.

“Mas livrai-nos sempre de todos os perigos”. O texto atual desta prece menciona “os perigos”, ao passo que o papiro fala “do perigo”. “O” perigo, por antonomásia, eram as perseguições movidas pelo Império Romano contra os católicos. O historiador Eusébio de Cesaréia (+339), em sua História da Igreja, descreve a grande crueldade das perseguições havidas no Egito. Por conseguinte, pode-se crer que as pessoas que compuzeram tal oração em tempo de perseguição, recorriam à proteção e à misericórdia da Mãe de Deus.

“Ó Virgem gloriosa e bendita”! A exclamação final afirma a virgindade de Maria Santíssima. Além da virgindade, proclama a fidelidade de Maria Imaculada à vontade de Deus.

2. O problema da datação

Os estudiosos concordam entre si ao afirmar a grande antigüidade do texto, mas oscilam entre o século III e o século IV.
O Concílio Geral de Éfeso (431), declarou que os Santos Padres “não duvidaram chamar Theotókos a Santíssima Virgem” – o que não queria dizer que a Divindade começou a existir a partir de Maria, mas que Aquele que nasceu de Maria está unido hipostaticamente ao Verbo de Deus, desde o seio materno.

Já no século IV encontramos o grande santo Atanásio, bispo de Alexandria, por volta de 340, que atribuiu algumas vezes o título Theotókos a Maria Santíssima, tanto nos seus escritos contra os arianos quanto na sua obra A Vida de Santo Antão.

O antecessor de Santo Atanásio na sede alexandrina, Santo Alexandre, também usou tal título: numa de suas cartas afirma que o Verbo assumiu um corpo verdadeiro, e não aparente, de Maria, a Theotókos (PG 18, 568c).

Em 300 foi eleito Bispo de Alexandria Pedro I: ao referir-se ao mistério da Encarnação, chama duas vezes Maria Theotókos (PG 18, 517b). Nenhum deles, Pedro I, Santo Alexandre e Santo Atanásio, sentiram necessidade de justificar ou explicar o titulo, o que mostra que já era amplamente conhecido e aceito tranqüilamente pelos católicos em geral.

Entrando agora no século III, notemos que o mártir alexandrino Piero (+300) cognominado Orígenes Júnior, escreveu um tratado sobre a Theotókos (Peri tes Theotókou), como refere Filipe de Side.

Recuando mais ainda, registra-se uma observação do historiador Sócrates, o Escolástico, na sua História da Igreja: afirma que Orígenes de Alexandria (+254) no início do seu comentário sobre a epístola aos Romanos (redigido por volta de 243), elaborou ampla explicação do sentido que tem o termo Theotókos. Encontram-se ainda outras afirmações de Orígenes, em suas homilias sobre São Lucas, que sugerem tenha Orígenes, já na primeira metade do século III, chamado Maria Santíssima de Theotókos.

Este título ocorre outrossim na obra As Bênçãos dos Patriarcas, de Hipólito de Roma (+235), que pode datar de fins do século.

Como quer que seja, pode-se reconstituir a série de autores alexandrinos que aplicam à Nossa Senhora a designação de Theotókos: Orígenes, Piero, Pedro I, Alexandre e Atanásio; tal série vai de 243 a 340, evidenciando a antigüidade da invocação.

Estes dados de literatura patrística são assaz significativos para que se possa considerar essa oração como existindo já no século III. O que testemunha que a devoção à Nossa Senhora como Mãe de Deus vem desde o início do cristinianismo.


Fonte: www.adf.org.br

sábado, 19 de março de 2011

A Igreja, como Maria, cuida dos Enfermos no espírito e no corpo


13-Fev-2010
Ao presidir na Basílica de São Pedro a Eucaristia em ocasião da 18ª Jornada Mundial do Enfermo e o 25° aniversário do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Agentes Sanitários (Pastoral da Saúde), o Papa Bento XVI explicou que, como a Virgem Maria, a Igreja exerce sua maternidade atendendo os Enfermos no corpo e no espírito, alentando neles a verdadeira alegria no meio da dor.

Em sua homilia, o Papa explicou que os evangelhos falam de Cristo curando no corpo e o espírito. "A Igreja, a quem foi confiada a tarefa de prolongar no espaço e no tempo a missão de Cristo, não pode desatender estas duas obras essenciais: evangelização e cura dos enfermos no corpo e no espírito", acrescentou.

"De fato –continuou o Santo Padre– Deus quer curar a todo homem e no Evangelho a cura do corpo é sinal da sanação mais profunda que é a remissão dos pecados.

O Papa também chamou atenção para o fato que "Maria, mãe e modelo da Igreja, seja invocada e venerada como "Salus infirmorum", "Saúde dos enfermos". Como primeira e perfeita discípula de seu Filho, Ela sempre demonstrou, ao acompanhar o caminho da Igreja, uma solicitude especial com os sofredores.".

O Papa se referiu logo ao relato da Visitação, no qual Maria "logo do anúncio do Anjo, não guarda para si o dom recebido, mas parte rapidamente para ir ajudar à anciã prima Isabel, que desde fazia seis meses levava no ventre João. No apoio oferecido por Maria a esta parente que vive, em idade avançada, uma situação delicada como a gravidez, vemos prefigurada toda a ação da Igreja para sustentar a vida necessitada de cura".

Depois de agradecer ao Pontifício Conselho para a Pastoral da Saúde por seu trabalho e logo depois de saudar os membros da União Nacional Italiana de Transporte de Enfermos a Lourdes e Santuários Internacionais (UNITALSI), Bento XVI se referiu ao canto do Magnificat, no qual "ouvimos a voz de tantos Santos e Santas da caridade, penso em particular naqueles que passaram sua vida entre os Enfermos e sofredores como Camilo de Lellis e João de Deus, Damião de Veuster e Benedito Menni".

"Quem permanece por longo tempo perto de quem sofre, conhece a angústia e as lágrimas, mas também o milagre da alegria, fruto do amor".

O Papa explicou logo que a maternidade da Igreja "suscita nos corações o consolo, uma alegria íntima, uma alegria que paradoxalmente convive com a dor, com o sofrimento. A Igreja, como Maria, custodia dentro de si os dramas do homem e o consolo de Deus, os faz permanecer juntos com o passar da peregrinação da história. Ao longo dos séculos, a Igreja mostra os sinais do amor de Deus, que segue operando grandes coisas nas pessoas simples e humildes".

"O sofrimento aceito e oferecido, a participação sincera e gratuita, não são talvez milagres de amor? O valor de confrontar o mal desarmados –como Judith–, só com a força da fé e a esperança no Senhor, não é um milagre que a graça de Deus suscita continuamente em tantas pessoas que dedicam seu tempo e energias para ajudar a quem sofre? Por tudo isto vivemos uma alegria que não esquece o sofrimento, mas sim a compreende".

Deste modo, disse o Papa Bento, "os Enfermos e todos os sofredores são na Igreja não só destinatários de atenção e cura, senão antes de qualquer coisa e sobre tudo protagonistas da peregrinação da fé e da esperança, testemunhos dos prodígios do amor, da alegria pascal que floresce da Cruz e da Ressurreição de Cristo".

O Papa Bento se referiu logo à necessidade da Unção dos Enfermos e explicou, no marco do Ano sacerdotal, "a relação entre Enfermos e sacerdotes, uma espécie de aliança, de ‘cumplicidade’ evangélica. Ambos têm uma tarefa: os Enfermos devem ‘chamar’ os presbíteros, e estes devem responder, para atrair sobre a experiência da enfermidade a presença e a ação do Ressuscitado e de seu Espírito".

"Aqui podemos ver toda a importância da pastoral dos Enfermos, cujo valor é realmente incalculável, pelo bem imenso que faz em primeiro lugar ao Enfermo e ao sacerdote mesmo, mas também aos familiares, aos amigos, à comunidade, através de vias ignoradas e misteriosas, a toda a Igreja e ao mundo".

Finalmente e depois de recordar a necessidade da esperança, como o escreve na encíclica Spe Salvi, Bento XVI recordou umas palavras de João Paulo II na Salvifici Doloris, a carta apostólica sobre o sofrimento humano: "Cristo ensinou o homem a fazer o bem com o sofrimento e, ao mesmo tempo, a fazer o bem a quem sofre. Sob este duplo aspecto, revelou completamente o sentido do sofrimento".

"Que a Virgem Maria nos ajude a viver plenamente esta missão. Amém!", concluiu.

Fonte: Aci Digital

terça-feira, 1 de março de 2011

A Virgem deseja formar santos.




Todos nós somos convidados a sermos santos. “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1,16), é esse o convite que o Senhor nos faz. Um convite destinado a todos, mas acolhido por poucos.
Se Deus colocou em nossos corações o desejo de ser santo, saiba que isso é possível, pois Santa Teresinha do Menino Jesus, dizia “Deus não poderia me inspirar desejos irrealizáveis, portanto, posso, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade”.

Sabemos que a caminhada em busca da santidade não é nada fácil e por muitas vezes passamos por noites escuras. No percurso percebemos que apesar de termos o desejo ardente de fazer a vontade de Deus, muitas vezes não fazemos, e como São Paulo podemos dizer: “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rom 7, 19).
Mas, existe um segredo, que os grandes santos buscaram para alcançar a santidade: a Virgem Maria. Ela é a formadora dos grandes santos. Santos como: São João Maria Vianney, São Padre Pio, Santa Terezinha do Menino Jesus, Santa Gemma Galgani e tantos outros.
São Maximiliano Maria Kolbe dizia: “Que todos os santos são obra da Virgem Santíssima e a devoção mariana é a característica comum a todos eles”. Se você deseja ser santo, seja uma alma mariana, busque verdadeiramente a intimidade com Maria Santíssima, assim você alcançará à perfeita união com Jesus Cristo.
São Luís Maria Grignion de Montfort nos diz que devemos “fazer todas as ações por Maria, com Maria, em Maria e para Maria, a fim de mais perfeitamente as fazer por Jesus Cristo, com Jesus Cristo, em Jesus e para Jesus”.
A Virgem Maria deseja formar santos. Que sejamos formados pela Imaculada Conceição, a cheia de graça, nos tornando seus verdadeiros discípulos

Fonte:Espaço Maria