quinta-feira, 30 de setembro de 2010

São João Maria Vianney sobre a Santissima Virgem Maria



"As Três Pessoas Divinas contemplam a Santíssima Virgem. Ela é sem mancha, está ornada de todas as virtudes que a tornam tão formosa e agradável à Trindade".

"Deus podia ter criado um mundo mais belo do que este que existe, mas não podia ter dado o ser a uma criatura mais perfeita que Maria".





"O Pai compraz-se em olhar o Coração da Santíssima Virgem como a obra-prima das suas mãos".

"Se um pai ou uma mãe muito ricos tivessem muitos filhos e todos eles viessem a morrer, restando apenas um, esse herdaria todos os bens. Pelo pecado original, todos os filhos de Adão morreram para a graça, e somente Maria, isenta do pecado, herdou as graças de inocência e favores que caberiam aos filhos de Adão, se eles tivessem permanecido em estado de inocência. Deus tornou Maria depositária das suas graças".

"Nesse período [antes do Natal], Jesus e Maria eram por assim dizer uma só pessoa. Jesus, nesses tempos felizes para Maria, só respirava pela boca dEla".

"Maria deseja tanto que sejamos felizes!".

"São Bernardo diz que converteu mais almas por meio da Ave-Maria que por meio de todos os seus sermões".

"A Ave-Maria é uma oração que jamais cansa".

"O meio mais seguro de conhecermos a vontade de Deus é rezarmos à nossa boa Mãe".

"Se o pecador invoca essa boa Mãe, Ela fá-lo entrar de algum modo pela janela".

"Se o inferno pudesse arrepender-se, Maria alcançaria essa graça".

"Maria! Não me abandoneis um só instante, permanecei sempre ao meu lado!".

"Tenho bebido tanto nessa fonte [no coração da Santíssima Virgem], que há muito tempo teria secado se não fosse inesgotável".

"Quando as nossas mãos tocam uma substância aromática, perfumam tudo o que tocam. Façamos passar as nossas orações pelas mãos da Santíssima Virgem. Ela as perfumará".

A Mediação universal de Maria Santíssima


Antes de apresentarmos a Doutrina desta Mediação da Mãe, cumpre-nos explicar e expor o Ofício Medianeiro de CRISTO.
Ao falar da Mediação de CRISTO, santo Tomás de Aquino ensina: “O Ofício de Medianeiro entre DEUS, e os homens consiste em uni-los”. (Suma Teológica3, q.26, a.1). A essência, pois, e a finalidade da Mediação de CRISTO está em unir os homens com DEUS.

O Medianeiro, segundo Santo Tomás, apresenta a DEUS as orações dos homens, oferece o Sacrifício, que é o ato principal da virtude da religião, e distribui aos homens os Dons Divinos que santificam as almas.

Este Ofício de Medianeiro, elevado a suprema perfeição, cabe e pertence exclusivamente a CRISTO Homem-DEUS, o único que nos pode reconciliar com DEUS, oferecendo-LHE um Sacrifício de valor infinito, que é perpetuado substancialmente no Sacrifício da Santa Missa. Somente CRISTO, Cabeça da humanidade, nos conquistou, com direito de Justiça, todas as graças necessárias a nossa salvação. É precisamente neste sentido que São Paulo ensina:

“Há um só Medianeiro entre DEUS e os homens, o Homem JESUS CRISTO, que se deu a Si mesmo em Redenção por todos.” (1 Tm. 2, 5-6)

Com estas palavras o Apóstolo quer dizer que nenhuma outra pessoa, tem, em si mesma, autoridade própria, nem merecimentos próprios, para se apresentar diante de DEUS, como Medianeiro dos homens, e neste sentido, a Mediação de CRISTO é única e exclusiva.

Mas esta Mediação absolutamente necessária, superabundante e suficientíssima, e que não carece absolutamente do auxílio de quem quer que seja, não exclui medianeiros subalternos e dependentes de CRISTO.

Com diáfana clareza o Papa Leão XIII na Encíclica “Fidentem piumque” de 20 de setembro de 1896, nos prova esta asserção:

“Há quem ache ousada a grande confiança no patrocínio da Virgem e queira repreender-nos. Em verdade, somente a CRISTO compete o nome e partilha de Medianeiro, a CRISTO que é uma só pessoa DEUS e Homem, e assim restaurou o gênero humano na graça: “Há um só Medianeiro entre DEUS e os homens, o Homem JESUS CRISTO, que se deu a Si mesmo, em Redenção por todos.” ( 1 Tm. 2, 5-6)

Mas, como ensina o “Anjo da Escola”, nada se opõe a que também outros se designem medianeiros entre DEUS e os homens, enquanto como ministros e instrumentos, cooperam na união dos homens com DEUS (Suma Teológica 3, q. 26, a.1,2), como os Anjos e Santos do Céus, os profetas e sacerdotes de ambos os Testamentos.

Esta dignidade gloriosa cabe, em ponto mais elevado, à Santíssima VIRGEM. Pois não se pode imaginar uma só personalidade que operasse na reconciliação dos homens com DEUS como MARIA, ou pudesse jamais operar como ELA. Quando os homens tinham incorrido na eterna perdição, MARIA deu-nos o SALVADOR. Pois foi ELA quem, em lugar de todo o gênero humano deu o Seu consentimento, quando o Anjo anunciou o Mistério da Paz (Suma Teológica 3, q. 30, a. 1). É Dela que nasceu JESUS, e ELA é verdadeiramente SUA MÃE e, por esta causa, Digna e Legítima Medianeira do Medianeiro.

É, pois, este o pensamento do papa Leão XIII: “Há um só Medianeiro, e esse é JESUS CRISTO. Mas há junto de JESUS CRISTO, a Santíssima Virgem, MÃE de DEUS, que por sua íntima cooperação com a Obra da Redenção, foi constituída Medianeira, e nesta Sua posição central, MARIA supera a todos os Anjos e Santos; é Medianeira num sentido, como nenhum Anjo e Santo o pode ser”.

Mas, se de fato, a mediação de JESUS CRISTO foi suficientíssima, superabundante, não carecendo do auxílio de quem quer que fosse, para executa-la, qual a razão, então, de MARIA Santíssima cooperar intimamente nela e merecer o título de Medianeira?

MARIA Santíssima é Medianeira Universal, não porque DEUS dELA necessitasse, mas porque unicamente assim o quis.

DEUS, infinitamente livre, podia querer e não querer a Redenção. E querendo a Redenção, podia escolher aquele modo de remir os homens que mais LHE agradasse. Pois, infinitamente sábio, tinha a sua disposição infinitos planos redentores.

Entre os infinitos planos, então, escolheu e executou aquele em que MARIA Santíssima ocupa, junto ao Divino Redentor, a posição central de MÃE e Medianeira Universal.

Segundo esse plano, na hora estabelecida por DEUS, o VERBO Eterno assume a natureza humana,por Obra do Divino ESPÍRITO SANTO; mas a assume no seio castíssimo da Virgem, e somente após ELA ter dado seu livre, espontâneo e pleno consentimento. A Virgem, portanto, por Sua própria vontade, torna-se MÃE do Salvador, fornecendo-LHE o Sangue Preciosíssimo a ser derramado e o corpo Santíssimo a ser imolado no Santo Sacrifício da Cruz.

Durante os anos que levou a preparação do Santo Sacrifício, MARIA Santíssima vive com o FILHO em perfeita, ininterrupta e íntima comunhão de sentimentos e dores.

Na Sexta Feira Santa, no alto do Calvário, MARIA Santíssima apresenta a DEUS a Vítima Divina. MÃE e FILHO entrelaçados num só sentimento, numa só vontade, oferecem o Sacrifício Redentor à Justiça Divina. Eis, pois, JESUS, o Redentor do gênero humano, satisfazendo plenamente pelos pecados dos homens, e eis a Seu lado a Santíssima MÃE a Co-Redentora, que por Seus sofrimentos, se torna MÃE de todos os remidos.


E agora perguntamos: A missão da Santíssima Virgem estará concluída com a morte do Redentor ou continuará ELA pela distribuição das Graças, conquistadas com Sua cooperação, na dolorosa Obra da Redenção?

A mesma Vontade Santíssima que escolheu a Virgem para MÃE do Redentor, que LHE pediu assistência Maternal para os 33 anos de vida e para a hora do Sacrifício Supremo, esta mesma Vontade quer e determina que ELA seja, junto do FILHO, a Dispensadora de todas as Graças. Pois, o Plano Redentor, abrange não só a conquista de todas as Graças, realizadas aqui na Terra, mas também a distribuição das mesmas que se faz nos Céus.

Seria até de estranhar, se Deus convidasse a Virgem para acompanhar o SALVADOR na Sua crudelíssima jornada, começada na Encarnação e concluída no Calvário, e não A associasse a CRISTO nas alegrias da distribuição de todas as graças, fruto preciosíssimo também do sofrimento da MÃE Celeste.

Portanto, a Santíssima Virgem, unida a CRISTO, aqui na Terra nos sofrimentos cruéis da Redenção, está agora unida a CRISTO nos Céus, na distribuição dos frutos da Redenção.

Como vemos, aqui temos enfeixado, em poucas palavras, o Plano da Redenção do gênero humano, e neste Plano está contida a Mediação da Santíssima Virgem. Distinguimos duas fases da Mediação Universal de MARIA Santíssima:

A primeira compreende a participação de MARIA SANTÍSSIMA nos mistérios da salvação humana: a começar da Encarnação do VERBO, por ELA livremente aceita, continuada durante os 33 anos da Vida do SENHOR e concluída com o Sacrifício da Cruz. Esta primeira parte da Mediação confere a MARIA Santíssima o glorioso título de Co-Redentora do gênero humano, e disso tratará as três próximas partes.

A segunda fase da Mediação universal de MARIA Santíssima diz respeito à distribuição de todas as Graças, iniciada no Dia da Gloriosa Assunção da Santíssima Virgem e a perpetuar-se até o fim do mundo, e que Lhe dá o consolador título de Dispensadora de Todas as Graças. Fatos que abordaremos a partir da quinta parte. Pois, enquanto a aquisição das Graças pela Mediação da Virgem é um fato já realizado e consumado, a Distribuição das mesmas é um fato a consumar-se diariamente, até o Juízo Final.

Mais adiante falaremos ainda da devoção que devemos ter à Medianeira de Todas as Graças e de exemplos Marianos, onde poderemos admirar as infinitas maneiras pelas quais a Santíssima Virgem exerce Sua missão Celestial de Medianeira do Medianeiro.


Fonte:EspaçoMaria

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Socorro dos cristãos



Maria é o socorro dos cristãos porque o socorro é o efeito do amor e Maria é a plenitude da consumação da caridade, que ultrapassa a de todos os santos e anjos reunidos.Ela ama as almas resgatadas por seu Filho mais do que se poderia dizer, ela as assiste em sua penas e as ajuda na prática de todas as virtudes.

Daí a exortação de são Bernardo em seu segundo sermão sobre o Missus est: “Se o vento da tentação se levanta contra ti, se a torrente das tribulações procura levar te, olhai a estrela, invocai Maria. Se as ondas do orgulho e da ambição, da maledicência e do ciúme te sacodem para tragar te em seus turbilhões, olhai a estrela, invocai a Mãe de Deus. Se a cólera, a avareza ou os furores da concupiscência zombam do frágil navio de teu espírito e ameaçam quebrá-lo, voltai teu olhar para Maria. Que a sua lembrança não se afaste jamais de teu coração e que seu nome se encontre sempre em tua boca...Mas para aproveitar do benefício de sua prece, não esqueça que deves andar sobre suas pegadas.”

Ela sempre foi o socorro não só das almas individuais, como dos povos cristãos.Pelo testemunho de Baronius, Narses, o chefe dos exércitos do imperador Justiniano, com a ajuda da Mãe de Deus, livrou a Itália, em 553, de se subjugar aos Gotos de Totila. Segundo o mesmo testemunho, em 718, a cidade de Constantinopla foi livrada dos Sarracenos, que em diversas ocasiões semelhantes foram derrotados pelo socorro de Maria.

Ainda no século XIII, Simão, conde de Monfort, abateu perto de Toulouse um considerável exército de albigenses enquanto que são Domingos rezava para a Mãe de Deus.

A cidade de Dijon foi da mesma forma, miraculosamente libertada.

Em 1571, a 7 de outubro, em Lepanto, na entrada do golfo de Corinto, com o socorro de Maria obtido pelo Rosário, uma frota turca bem mais numerosa e mais poderosa do que a dos cristãos foi completamente destruída.

O título de Nossa Senhora das Vitórias nos lembra que muitas vezes nos campos de batalha sua intervenção foi decisiva para livrar os povos cristãos oprimidos.

Nas ladainhas de Loreto, essas quatro invocações: saúde os enfermos, refugio dos pecadores, consoladora dos aflitos, socorro dos cristãos lembram incessantemente aos fieis que Maria é a Mãe da divina graça, e por isso Mãe de misericórdia.

A Igreja canta que ela é também nossa esperança: “Salve Regina, Mater misericordiae, vita, dulcedo et spes nostra, salve.” Maria é nossa esperança, na medida do que mereceu com seu Filho e por ele o socorro de Deus, que nos adquire por sua interseção sempre atual e que nos transmite. É, assim, a expressão viva e o instrumento da Misericórdia auxiliadora que é o motivo formal de nossa esperança. A confiança ou a esperança apoiada a uma “certeza de tendência para a salvação”que não cessa de aumentar, e que deriva de nossa fé na bondade de Deus todo poderoso, pronto para socorrer, na fidelidade de suas promessas; donde nos santos, o sentimento quase sempre atual de sua Paternidade que incessantemente vela por nós. A influência de Maria, sem ruído de palavras, nos incita progressivamente a essa confiança perfeita nos manifestando cada vez melhor o motivo.

A Santíssima Virgem é mesmo chamada “Mater sanctae laeticiae” e “causa nostrae laetitiae”causa de nossa alegria. Ela obtém para as almas mais generosas esse tesouro escondido que é a alegria espiritual no meio dos próprios sofrimentos. Ela lhes obtém de vez em quanto levar suas cruzes com alegria seguindo o Senhor Jesus; ela as incita no amor a cruz, e sem faze-las sentir sempre essa alegria, lhes proporciona comunica-la aos outros.

Fonte:espaçomaria

domingo, 19 de setembro de 2010

NOSSA SENHORA DA SALETE -19 de setembro


Entre o mal e nós, existe esta mãe cujas lágrimas lhe escorrem até os joelhos
A Virgem Santíssima, rainha da França, não tem nada desses soberanos constitucionais que reinam, mas não governam. Maria leva suas funções a sério e não se deixa confinar num papel puramente decorativo. No século XIX não existia um só lugar, na França, onde não tremulasse, ao vento, um pedacinho do seu véu azul. Catarina Labouré, Teodoro e Alfonso Ratisbonne não são as únicas almas pessoalmente favorecidas pela Rainha do Céu, ao lhes revelar, sorrindo, seu nome irresistível. Na grande confusão de almas desvairadas ─ adensando-se cada vez mais─, de paixões desenfreadas, de espíritos e vontades obscurecidos, Maria interveio nos momentos estratégicos e, conforme relato das Escrituras, Ela é um exército, e se posicionou, pronta para a batalha. Inicialmente, em La Salette.

Nós, os homens (e para saber o que são os homens, basta lembrar do dia de ontem e do jornal desta manhã), nós vimos esta mãe, sofrida, mergulhada em tanta tristeza, a chorar. O Bom Deus não é o culpado pelas tragédias tão terríveis que nos envolvem, como se Ele não existisse ou como se fosse nosso inimigo, e isso traz tantas consequências! Será que, para uma mãe, não vale a pena romper, digamos, todas as conveniências naturais, todos os hábitos e leis de nosso habitat físico, para advertir os filhos insensatos, que não se dão conta do que estão fazendo, não sabem o mal que ocasionam e o perigo que correm?

Entre o mal e eles, agora existe, não somente os mandamentos do catecismo, mas esta Mãe cujas lágrimas lhe escorrem até os joelhos.

Paul Claudel, 27 de maio de 1953.
Publicado em Maria, janeiro-fevereiro de 1954

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

“Carne da minha carne, sangue do meu sangue”.


Como nos revela a Palavra de Deus – o demônio e seus seguidores tem um grande ódio contra a Virgem Maria. Basta comparar:
“Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar,” (Gêneis 3,15)

“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.” (Apocalipse 12,1)

Basta ver a atuação das seitas que em seu ódio contra Nossa Senhora negam sua virgindade perpétua, sua maternidade divina, sua Imaculada Conceição, sua mediação entre seu Filho (Jesus) e nós, sua Assunção e na loucura deles a chamam de pecadora, de uma mulher como outra qualquer.

A negação da verdadeira natureza humana de Cristo conduz, como conseqüência a negação da verdadeira maternidade divina de Maria – a negação da verdadeira divindade de Cristo leva inevitavelmente a negar que Maria foi a Mãe de Deus.

Na verdade a dignidade e excelência da Virgem como mãe de Deus excede a de todas as pessoas criadas, sejam anjos ou homens, porque a dignidade de uma criatura é tanto maior quanto mais próxima está de Deus. E Nossa Mãe do céu é a criatura mais próxima de Deus, depois da natureza humana de Cristo unido misteriosamente com a Pessoa do Verbo.

Como mãe corporal, leva em suas veias o mesmo sangue que o Filho de Deus enquanto a sua natureza humana.

O mesmo sangue que derramou no Calvário para nossa Redenção.

A Virgem Maria é a única criatura de Deus que pode olhar para Deus Filho e dizer: “Carne da minha carne, sangue do meu sangue”.

Os livros sapienciais (Salmos, Provérbios, Eclesiásticos, Sabedoria e Cânticos) cantam a elevada dignidade de Nossa Senhora. Ela é a filha de Sião, a filha de Jerusalém, o tabernáculo de Deus, o templo de Sião, etc, etc.

Leia-se:

Salmos 45,5; Salmos 86,3; Salmos 131,13; Provérbios 8,22ss; Eclesiástico 24,11ss; Cânticos 4,7)

Portanto, ninguém vai ao Filho, sem antes ir até a Mãe!

Fonte: espacojames.com.br

O sacrifício da Virgem não era, simplesmente, o de renunciar ao pecado



O sacrifício da Virgem não era, simplesmente, o de renunciar ao pecado; e sim, o de renunciar às coisas santas em prol de outras coisas mais santas, ainda.

Convém, pois, que aqui seja desenvolvida uma ternura sensível, e além de sensível, santa, para que os homens saibam o que devem fazer das afeições sensíveis que não são santas. Será necessário que seja mortificado, na Virgem, o que existe sem pecado e que seja abafado em seu coração o desejo justo de consolar, sensível e ternamente seu Filho, para que Ela se possa assemelhar perfeitamente a Ele e sofrer, intima e profundamente, à imagem d´Aquele que deverá sofrer e morrer sem ser consolado.

Ela fará, então, assim como seu próprio Filho, e melhor do que qualquer outra pessoa, a “vontade de Deus”; Ela será para seu Filho o que ninguém será depois dela; um “irmão”, uma “irmã”, a verdadeira “Mãe”; ela entrará, como ninguém, de forma única, magnífica, no Reino de Deus, no Reino dos parentescos espirituais. E deste reino, Maria será a rainha incomparável.
Maria ereta, firme, ao pé da Cruz. Ela não desfalece e não é confortada pelas santas mulheres. Ao contrário, é Ela quem assiste e apoia, então, a toda a Igreja, pelo arrebatamento de seu amor imenso, forte como a morte. Firme, ao pé da Cruz, Ela ouve as Sete Palavras que descem do alto da Cruz, tocando seu coração desolado. Sabat Mater Dolorosa.

Neste momento, Ela parece ter dado tudo o que possuía e parece nada mais possuir que lhe possa ser arrebatado. Entretanto, seu Filho vai lhe pedir uma separação mais dolorosa, ainda. Ele não quer que sua Mãe espere diante da Cruz, não podendo ter consigo o seu Filho amado, prestes a morrer. Enquanto ainda vive, Ele aniquilará, pela última vez, o amor sensível, no entanto, tão puro e tão discreto, que sente tocar-Lhe, chegando ao alto da sua Cruz. Ele quer morrer pobre e sem mãe. É preciso que Ela aceite, desde então, transferir sua ternura maternal a outra pessoa: “Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” (João 19, 26).
A Virgem, desde o início, havia oferecido a Deus, todos os batimentos do seu coração. Desde o instante da Encarnação, Ela havia renunciado, sem qualquer reserva, à propriedade de seu amor materno. Cada despedaçar de seu coração, cada vez mais sofrido, mutilado por dores pungentes que lhe foram solicitadas, não lhe fora infligido para a purificação das imperfeições de seu amor: não houve nem sombra de imperfeição n´Ela. O desígnio único era o de associá-la ao sofrimento redentor de seu Filho.

O sofrimento de Jesus não estava destinado à sua própria purificação e sim à redenção do mundo. Os sofrimentos da Virgem Imaculada, à semelhança dos sofrimentos do Filho, não estavam ligados à sua purificação, pois Ela era toda pura e nascera imaculada. Porém, a Virgem poderia unir os seus sofrimentos aos de Jesus, suportados para a salvação dos homens. Neste sentido, os sofrimentos de ambos eram corredentores.

Cardeal Charles Journet,
Mater Dolorosa,
Edições Christiana, 1974

Fonte:minuto com Maria

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA" (LC 1, 28)


Os fiéis católicos têm por hábito saudar a Virgem Maria com as palavras do anjo Chãire Kecharitoméne (Lc 1,28) que são geralmente traduzidas por Ave Maria, cheia de graça. Todavia o texto grego diz literalmente "Alegra-te..." e não "Ave" ou "Salve". A diferença de traduções é importante, pois o convite à alegria dirigido a Maria faz eco ao mesmo convite dirigido freqüentemente, no Antigo Testamento, à Filha de Sion ou ao povo de Israel: cf. Is 12,6; 44,23; 49,13; 54,1.


O motivo da alegria proposta é a vinda do Messias e da salvação a ser realizada por Ele. A Filha de Sion assim interpelada é tida como a Mãe que dará à luz o Messias (Jr 4,31; Mq 4,10) De modo especial vem ao caso o texto de Sofonias 3,14-18 como pano de fundo do anúncio do anjo a Maria: Sf 3,14-18
"Alegra-te,
Filha de Sion
O Senhor está no meio de ti
Não temas, Sion
O Senhor teu Deus está em teu seio(1)
Como Salvador,
O Senhor Deus de Israel" Lc 1,28-33
"Alegra-te,
Cheia de graça
O Senhor está contigo..
Não temas, Maria
Conceberás em teu seio
E o chamarás Jesus (Salvador),
E reinará"


Recolocando, pois, a saudação do anjo sobre o seu fundo de Antigo Testamento verifica-se algo de muito profundo: Maria, interpelada por Gabriel, vem a ser a representante, por excelência, da Filha de Sion, é a autêntica Mãe do Messias. Daí a exortação à alegria, que São Lucas tanto recomenda em seu Evangelho (cf. Lc l,14.28.41.44.58; 2,0; 10,17-23; 15,6.9.10.23.32; 24,21.54...). Desponta a aurora da salvação, não há por que temer (observação também feita aos pastores em Lc 2,10). Maria, grávida, vai ter com Isabel, cujo filho "exulta de alegria no seio materno" (Lc 1,41 44).

Assim toda a história do Antigo Testamento conflui para Maria Santíssima. Ela é o ponto final que compendia em si a expectativa dos Patriarcas, as angústias dos justos à espera do Messias, a paciência do povo de Deus. E ela responde ao Senhor que lhe fala, com as palavras Génoitó moi (Faça-se em mim...), verbo no modo optativo, que significa: "Oxalá realize o Senhor em mim a sua obra conforme a palavra do anjo" (Lc 1,38). Esta resposta exprime ardente desejo ou prece e plena disponibilidade para o serviço do Senhor, ainda que apresentado misteriosamente Diante do inédito, Maria se curva, porque "para Deus nada é impossível" (Lc 1,37). Aliás, já no Antigo Testamento, o Senhor Deus revelou que a salvação do homem é possível, mesmo quando parece inexeqüível; (cf Gn 18,14; Jr 32,21).

É, pois, com razão que a Igreja se volta para Maria, venerando-a em sua grandeza humilde e pedindo-lhe que continue a exercer o seu papel de Mãe do Messias, pois Este tem um Corpo prolongado, que é a comunidade dos fiéis, ou seja, cada cristão congregado na Comunhão dos Santos.

"Alegra-te, Filha de Sion, cheia de graça...!"

(1) O texto hebraico diz "No teu seio,.." - o que é mais significativo do que no "meio de ti"

Fonte:espacomaria.com.br

domingo, 5 de setembro de 2010

Quem não tem Maria por mãe, não tem Deus por pai


Por meio de Maria, Deus Pai quer que aumente sempre o número de seus filhos, até a consumação dos séculos, e diz-lhes estas palavras: In Iacob inhabita – “Habita em Jacó” (Eclo 24, 13), isto é, faze tua morada e residência em meus filhos e predestinados, figurados por Jacó e não nos filhos do demônio e nos réprobos, que Esaú figura.

Assim como na geração natural e corporal há um pai e uma mãe, há, na geração sobrenatural, um pai que é Deus e uma mãe, Maria Santíssima. Todos os verdadeiros filhos de Deus e os predestinados têm Deus por pai, e Maria por mãe; e quem não tem Maria por mãe, não tem Deus por pai. Por isso, os réprobos, os hereges, os cismáticos, etc., que odeiam ou olham com desprezo ou indiferença a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai, ainda que disto se gloriem, pois não têm Maria por mãe. Se eles a tivessem por Mãe, haviam de amá-la e honrá-la, como um bom e verdadeiro filho ama e honra naturalmente sua mãe que lhe deu a vida.

O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herege, um cismático, um réprobo, de um predestinado, é que o herege e o réprobo ostentam desprezo e indiferença pela Santíssima Virgem e buscam por suas palavras e exemplos, abertamente e às escondidas, às vezes sob belos pretextos, diminuir e amesquinhar o culto e o amor a Maria. Ah! Não foi nestes que Deus Pai disse a Maria que fizesse sua morada, pois são filhos de Esaú.

São Luís de Montfort

MARIA E A TRADIÇÃO CATÓLICA


Toda a Tradição católica fala abundanternente de Nossa Senhora; razão pela qual a Igreja lhe presta um culto especial (hiperdulia - hiperveneração). Testemuhnos escritos dos Santos Padres e Doutores confirrnam a nossa fé. Vejamos um pouco de tudo aquilo que eles nos oferecem sobre a Virgem Maria.

São Cirilo de Alexandria (315-386) - sobre “Maria, Mae de Deus”.

"Causa-me profunda admirarção haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santissima o título de Mãe de Deus. Realmente, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo nao pode ser chamada de Mae de Deus a Virgem Santissima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora nao usassem esta expressao. Assim fomos tambem instruidos pelos santos Padres. Em particular Santo Atanásio (295-373), nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, da frequentemente á Vir­gem Santissima o título de Mãe de Deus.

Santo Ireneu (140-202):

"No Cristo que nasce de Maria, é a humanidade toda que renasce á vida, a solidariedade existente entre Cristo e os homem traz esta conseqüência: a concepção e o nascimento de Jesus já são a redenção por antecipação dos homens."
"Como por uma virgem desobediente foi o homem ferido, caiu e morreu, assim também por meio de uma virgem obediente à pa­lavra de Deus, o homem recobrou a vida. Era jus to e necessário que Adão fosse restaurado em Cristo, e que Eva fosse restaurada em Maria, a Jim de que uma virgem feita advogada de uma virgem.apagasse e abolisse por sua obediência virginal a desobediência d uma virgem."

E Santo Efrém (306-373):

"Ó Virgem Senhora, Imaculada deípara (geradora de Deus), senhora minha gloriosíssima, mais sublime que os céus, muito mais pura que os esplendores, raios e fulgores solares... Vara de Aarão que germina, pareceste como verdadeira vara e a flor foi o teu Filho verdadeiro, nosso Cristo Deus e Criador meu. Tu, segundo a carne, geraste Aquele que é Deus e Verbo, conservando a virgindade antes do parto, virgem depois do parto, e fomos reconciliados com Deus teu filho".

Sobre a virgindade após o parto:
Santo Agostinho (430)
Com efeito, assim como nesse sepulcro nenhum morto foi sepultado, nem antes, nem depois, (Jo 19,41), também no seio virginal de Maria, nem antes nem depois, ser mortal algum foi concebido.

São João Damasceno (675-749):
Eis a Virgem, filha de Adão e Mãe de Deus: por causa de Adão entrega seu corpo a terra, mas por causa de seu Filho eleva a alma aos tabernáculos celestes!

São Cirilo de Jerusalém (370-444):
Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?
“Pois não conheço homem algum” (Lc 1,34). Essas palavras indicam a resolução de Maria, opinião comum, fazendo o voto perpétuo de virgindade, o qual significa que aceita a concepção virginal de Cristo – por obra do Espírito Santo - e reafirma seu desejo de permanecer sempre virgem.

Segundo São Tomás:

1. O que desde toda eternidade é Filho único do Pai, convém que seja no tempo o filho único de Maria.
2. Seria uma ofensa ao Espírito Santo, o qual santificou para sempre o seio virginal de Maria.
3. Se a dignidade de ser Mãe de Deus supôs a virgindade antes e no parto, essa mesma dignidade segue existindo depois do parto (cf. S. Th. III, q. 28, a.3)

Fonte: Felipe Aquino

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Perpétuo tabernáculo da Eucaristia


Será descabido considerar que as Sagradas Espécies permaneceram inalteradas em Maria Santíssima desde que, na Última Ceia, as recebera pela primeira vez?

Sebastián Correa Velásquez

Desde o início da vida pública de Jesus Cristo, a Virgem Santíssima ardia em desejo de que seu Filho instituísse, o quanto antes, o Sacramento da Eucaristia, o qual seguramente já Lhe tinha sido revelado. As bodas de Caná pareceram-Lhe ocasião apropriada para isto e, assim, quando o vinho veio a faltar, Maria dirigiu-Se aos criados e ordenou-lhes: "Fazei o que Ele vos disser" (Jo 2, 5).1

Mas, ainda não era o momento: "Mulher, minha hora ainda não chegou" (Jo 2, 4) - respondeu Jesus. Somente três anos mais tarde, na véspera de Sua Paixão, Nosso Senhor iria dar à Sua Mãe esse celeste alimento.
Paraíso terrestre do novo Adão
Quão dura deve ter sido a espera de Nossa Senhora até poder receber as Sagradas Espécies! Todavia, o Filho também não via chegar o instante de retornar a esse materno e santíssimo claustro, que foi durante nove meses Sua puríssima mansão. Pois afirma São Luís Maria Grignion de Montfort: "Digo com os santos que Maria Santíssima é o paraíso terrestre do novo Adão, no qual este se encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incomparáveis. É o grande e o divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros inefáveis".

2 Com efeito, Deus deu para Adão o Éden, onde grassa todo gênero de maravilhas: flores e plantas aromáticas, animais, pedras preciosas... Para os santos e bem-aventurados, reservou um lugar tão superior em natureza a este mundo que foi chamado de Céu Empíreo, isto é, "de fogo". E, para Si, criou um Paraíso tão sublime e atraente que torna os outros meras prefiguras: Maria Santíssima.3

Assim, como veremos a seguir, quando Nossa Senhora acolheu em seu interior o adorabilíssimo Filho sob as Espécies Eucarísticas pela primeirA vez, estas não se desfizeram mais dentro dEla.
Permanência miraculosa das Sagradas Espécies
As Sagradas Espécies são, pela própria natureza de sua matéria, tão corruptíveis e passíveis de deterioração como o pão e o vinho comuns.

Na hora da Comunhão, elas "se desfazem pouco tempo após terem sido recebidas, cessando nelas a presença de Cristo". Mas, como afirma o padre Gregorio Alastruey no seu conceituado Tratado de la Virgen Santísima, fora deste modo ordinário e comum, "pode existir um outro modo miraculoso e singular, pelo qual se mantenham incorruptas as Sagradas Espécies, continuando Cristo a estar presente no comungante".

4 Assim acontecia, por exemplo, com Santo Antônio Maria Claret, em cuja autobiografia lemos: "No dia 26 de agosto de 1861, enquanto rezava na igreja do Rosário, na Granja, às dezenove horas, o Senhor concedeu-me a grande graça da conservação das Espécies Sacramentais e de ter sempre, dia e noite, o Santíssimo Sacramento no peito".
Graça singular e adequada para a Mãe de Deus
Ora, ensina a Igreja que Cristo cumulou Sua Mãe, "mais do que a todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade".6 Porque, como afirma Alastruey: "todo tipo de graça que se concedeu a outros de forma fragmentada e incompleta, foi dado à Bem-aventurada Virgem em conjunto e de modo perfeito, como convinha à Mãe de Deus, a fim de que estivesse ornada de toda a formosura das graças e dos dons concedidos aos outros justos".
A isto se acrescenta que, tendo sido Maria constituída, por livre disposição de Deus, "Dispensadora univesal de todas as graças que se concederam ou se concederão aos homens até o fim dos séculos",8 convinha a Ela possuir todos os dons que Ela mesma haveria de distribuir aos homens.

Assim, se grandes herois da virtude, como o fundador dos Claretianos, foram favorecidos com a permanência de Jesus Eucarístico no seu peito, não poderia Nossa Senhora ter deixado de receber em grau sumo graça tão singular e tão adequada para a Mãe de Deus.

Será, então, descabido considerar que as Sagradas Espécies permaneceram inalteradas em Maria Santíssima, desde o momento em que, na Última Ceia, as recebera pela primeira vez até a hora da Assunção?

A piedade e a razão levam-nos a pensar que não. Antes, cremos que o título de "Perpétuo tabernáculo da Eucaristia" em nada contradiz, e até completa, as belas expressões de louvor usadas pelo Servo de Deus João Paulo II: "Mulher eucarística" e "Primeiro sacrário da História".9


Uma consideração final. Discutem os teólogos se Maria conservou a presença das Sagradas Espécies no Céu, depois da Assunção. O assunto é cativante, mas expô-lo exigiria entrar em considerações sobre o Céu e os corpos gloriosos que fogem da matéria de hoje.

Deixemo-las para um próximo artigo e fiquemos, por enquanto, com esta "ponta de trilho" levantada pelo padre Gregorio Alastruey: "Não se pode negar a possibilidade de as Espécies Sacramentais permanecerem incorruptas no peito da Virgem Mãe de Deus, seja enquanto viveu na terra, seja no Céu; porque se Deus pode impedir que os agentes naturais externos alterem e corrompam as Espécies Eucarísticas, do mesmo modo pode preservá-las da corrupção que se segue ao influxo dos humores internos, necessários para a ação digestiva; argumento que tem seu máximo valor quando aplicado à vida do Céu, onde, pelo estado dos corpos gloriosos devem excluir- se ou ordenar-se de outro modo certas funções vitais que procedem da alma no seu grau inferior ou mais vegetativo".

Fonte: espacomaria

Nossa Senhora











quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Natividade de Nossa Senhora - 8 de setembro




Autor: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Não se sabe a data exata do nascimento de Maria, a Mãe de Jesus. A festa do dia 8 de setembro teve seu início, possivelmente, no quarto século na Síria ou na Palestina. Roma a adotou no sétimo século. Esta solenidade já, antes, estava introduzida em Constantinopla, notando-se lá um belíssimo hino, além dos famosos sermões de Santo André de Creta.

Os Coptas do Egito e da Abissínia celebram a Natividade de Maria no dia primeiro de maio. Convinha, de fato, que houvesse uma festa litúrgica em honra da Mãe de Deus, cuja santidade é reconhecida e venerada por toda a Igreja.

Os Evangelistas nada falam sobre o pai e a mãe de Maria, Joaquim e Ana, venerados desde o século quarto, e cuja festa se celebra dia 26 de julho. A vocação desta sua filha que seria a Co-redentora da humanidade é uma das mais maravilhosas escolhas do Criador. Ela, mais do que todas as outras mães, deveria estar revestida de muita humildade, vulnerabilidade e capacidade para suportar grandes amarguras, cooperando na obra salvífica de seu Filho.

O Ser Supremo sabe, evidentemente, sempre escolher os seus instrumentos e a grandeza desta Mãe admirável estaria na proporção mesma de sua maternidade divina. Ela mesma haveria de cantar: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada porque o Todo Poderoso fez em mim grandes coisas” (Lc 1,48-49). Os cristãos rejubilam-se em partilhar a nobreza espiritual de Maria, sua santidade eminente, sua perfeita correspondência à vontade do Criador. Ela esteve presente na vida de Jesus, tendo acompanhado seu Filho durante toda sua vida pública. Ela estava com os Apóstolos após o retorno de Cristo ao Pai. Ela acompanha todos os batizados, desejando que estejam um dia na sua companhia lá no céu. No dia do aniversário desta Rainha e Mãe poderosa cumpre sentimentos de gratidão e amor. È preciso, além disto, a imitação das suas virtudes, sobretudo, a fé, pois se nem sempre se contempla a felicidade eterna além dos horizontes terrenos é porque muitos não vêem claro as verdades mais seguras que se oferecem ao ser pensante através desta virtude teologal. Pela fé é que se percebe melhor a mão de Deus na vida de cada um.

É a fé que nos leva a acreditar que em Maria se deu a união da divindade e da humanidade, da impassibilidade e do sofrimento, da vida espiritual e da morte ao pecado, para que tudo que era perversidade fosse vencida pelo poderoso Redentor da humanidade. Ele, Rei universal, e por isto o momento da Anunciação foi um dos instantes mais importantes da História humana. Ela sempre submissa à vontade do Pai, árvore plantada nas margens das águas do Espírito Santo para dar aos homens o fruto bendito que foi o Verbo Encarnado.

Nada mais necessário, portanto, do que comemorar a natividade desta Cidade Santa de Deus, toda imaculada, toda bela, acima dos Querubins e dos Serafins, unida profundamente à Trindade Santa. Ela a glória dos sacerdotes, a esperança dos cristãos, a planta fecunda da virgindade. De tudo isto jorra a alegria deste dia solene. Céu e terra formam uma só assembléia para louvar o Santuário sacrossanto onde residiu durante nove meses o Bem-Amado do Pai. Saudações universais a Maria que é o traço de união entre o Salvador e o gênero humano, entre o céu e a terra, a eternidade e o tempo. Através dela Cristo libertou a humanidade da maldição edênica e trouxe aos homens todas as bênçãos celestes.

Quando o cristão segue os passos de Maria, fica fácil para ele suportar as tristezas, os trabalhos da vida, as turbulências inerentes a um exílio, a um vale de lágrimas. Ela. boa mãe que é. não apenas cuida de todos os seus filhos em geral, mas vela sobre cada um deles em particular. Tal é a pulcra invocação que no sul da França, em Marseille, lhe dirigem seus devotos: ela é Nossa Senhora da Guarda. Os Marselheses lhe erigiram no alto de um monte uma belíssima Basílica e sua enorme estátua se ergue abençoando a belíssima cidade. Sua imagem dourada está presente em todos os ângulos e quem vai até este santuário mariano contempla paisagens magníficas do mar e dos rochedos. Assim como cada Marselhês, todo cristão deve ter seus olhares sempre voltados para Maria e, indo até ela, se contemplam panoramas encantadores, dado que é ela a Estrela do Mar que faz ver além das fronteiras terrenas os píncaros da Jerusalém celeste.

fonte:www.nsrainha.com